Escritor cria editora de livros para publicar suas obras e abrir espaço a artistas independentes

Em um sistema no qual absolutamente tudo recebe valor através de seu poder de retorno mercadológico, não é incomum se deparar com uma onda cada vez mais crescente de pessoas que desistam de suas carreiras, seja por falta de incentivo monetário ou educacional.

Um caso à parte nesta estimativa – um chamado “resistente” – é Luiz Carlos Cichetto. Poeta, escritor, letrista e artesão, ele cansou de tentar “vender o seu peixe” para as grandes editoras e resolveu criar sua própria produtora de livros: a Editor’A Barata Artesanal.

Criada no início de 2010, a Barata teve inicio a partir de desilusões do escritor com a falta de “disposição de risco” por parte das editoras. Para ele, as produtoras, hoje, não se arriscam na produção e lançamento de livros “não vendáveis”. Foi a partir daí que a ideia de criar algo independente começou a ganhar corpo.

"101 Poemas em 90 dias" é um dos livros lançados por Luiz Carlos Cichetto, criador da Editor'A Barata Artesanal.
“101 Poemas em 90 dias” é um dos livros lançados por Luiz Carlos Cichetto, criador da Editor’A Barata Artesanal

“O interesse é puramente mercadológico. Basta se observar o que é editado e comercializado no Brasil. Se o que vende é biografia de gente famosa, autoajuda, zumbis, games e coisas ligadas aos pseudo movimento sociais, por que alguma editora se arriscaria a publicar livros fora desse contexto?”, disse o poeta.

Na Barata, Cichetto desenvolveu um sistema operacional totalmente artesanal para a produção das obras através de materiais “comuns” como impressoras, réguas e tesouras. Além de escritor, ele também é o diagramador, divulgador e distribuidor da editora.

Hoje, cinco anos depois, são mais de sessenta livros publicados – grande parte do próprio Cichetto – e uma porta aberta a escritores independentes. Para o poeta, um saldo positivo se consideradas às dificuldades em relação a uma editora de renome que tem poder de divulgação e enorme apelo midiático.

“O objetivo inicial era divulgar meus trabalhos, mas logo no início outras pessoas começaram a se interessar, e passei então a aceitar outros trabalhos. Nesses cinco anos, são mais de sessenta títulos, em vários gêneros, como poesia, ocultismo, ensaio. Para uma editora cujo trabalho é feito por uma pessoa, é absolutamente positivo”, comentou o escritor.

Apesar do considerável sucesso da Barata, Cichetto não procura estabelecê-la como uma gigante editorial. Muito menos uma concorrente. A verdade é que seu grande desejo é poder prosseguir fazendo o que faz: abrir espaço a quem aprecia e faz da sua vida a escrita. A poesia. A prosa. A quem se interessa por uma boa iniciativa.

“Não almejo transformá-la em algo grande. Claro que gostaria de ter um capital maior, para investir em equipamentos melhores de impressão, melhorando meus processos, mas isso sempre dentro de um modelo de empresa individual. Ademais, tenho objetivo de também poder dispor de recursos para bancar publicações de livros que considere de alto valor literário”, concluiu.

Por Matheus Narcizo