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Crítica: “Duda e os Gnomos”

Uma criança é deixada sozinha em casa e precisa defender o local de perigosos invasores. Essa poderia ser a premissa de um dos maiores sucessos dos anos de 1990, “Esqueceram de Mim” (Home Alone), mas também serve para definir em poucas palavras a ideia central da animação “Duda e os Gnomos” (Gnome Alone), que chega aos cinemas brasileiros.

A protagonista é a jovem Duda (voz da cantora Becky G na versão original, que também participa da trilha sonora), que vê sua vida ser posta de cabeça para baixo, com as frequentes mudanças de cidade, impostas por sua mãe Catherine – o real motivo para tal atitude não fica claro em nenhum momento.

Em sua nova – e à primeira vista, assustadora – casa, localizada em Tenderville, a garota descobrirá inesperados moradores, que como a tradução do título já indica, são gnomos, daqueles bem clássicos, vistos corriqueiramente em jardins. A diferença é que as tais ‘estátuas’ estão vivas.

Ao atravessar uma passagem secreta no imóvel, Duda encontra uma espécie de altar com uma pedra muito chamativa por seu brilho extremo e, fazendo exatamente o contrário do que seria o recomendado num caso assim, retira o objeto do local para transformá-lo em um colar.

Esse é o princípio dos problemas que acometerão, inicialmente a casa, mas que, segundo a trupe de gnomos, poderá ser a causa de uma destruição global. Tudo porque sem a chamada “pedra-chave”, insaciáveis criaturas conhecidas como Trogs têm acesso quase irrestrito a esse mundo, através de portais.

Some-se a isso a necessidade de se enturmar com os colegas da nova escola (representados pelos clichês clássicos das garotas tão más quanto populares que ditam as regras; o menino bonito de inteligência questionável; e o vizinho nerd, que não hesitará em entrar numa aventura para salvar o mundo). Deu para perceber que a protagonista está numa grande enrascada.

A animação dirigida por Peter Lepeniotis é bastante simples, e segue à risca a cartilha das narrativas padrão, mas ainda assim carrega alguns pontos positivos. A dupla formada por Duda e Liam (o tal amigo nerd) funciona bem em tela. É interessante perceber como as aparências não devem mesmo ser consideradas quando se busca fazer parte de algo e como podemos ter uma primeira impressão equivocada das pessoas que nos cercam.

Também vale destacar os gnomos, cada um com sua personalidade distinta e momento de importância. Achei uma fofura o aparentemente caçula de todos, chamado de Tampinha. Há de se temer um pequenino gnomo portando um martelo.

A adaptação do texto original continua sofrendo com o mal do exagero nas expressões que precisam ganhar sentido em português. Mas, como não chega a ser novidade no mercado brasileiro da dublagem de produções infantis, as vozes dos dubladores parecem adequadas a cada personagem (o que, pelo menos para mim, é de grande ajuda para que possamos nos aproximar deles).

É provável que as crianças mais novas aproveitem mais, já que o texto é acessível e a história sem reviravoltas complicadas.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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