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Crítica: “Desejo de Matar”

“Desejo de Matar” (Death Wish) é a refilmagem do filme homônimo estrelado por Charles Bronson. Dirigido por Eli Roth, traz Bruce Willis no papel do personagem Paul Kersey, um médico que tem sua casa invadida, sua filha deixada em coma, e sua mulher morta por um grupo de assaltantes. Agora ele procura vingança contra esses homens, e ataca a criminalidade da cidade enquanto se prepara para destruir aqueles que feriram sua família.

Apesar de ser o remake de um thriller de vingança, a produção se transformou numa peça ideológica, que não consegue se decidir sobre o que pretende falar: se quer satirizar a cultura armada e violenta norte americana, ser um título pró-vigilantismo, ou mais voltada à ação, como no original de 1974.

Parte desse problema se dá pelo filme procurar manter-se neutro, não querendo se declarar favorável a nenhum lado específico, e tentar projetar um panorama geral para abocanhar mais público, em épocas em que temáticas como justiça com as próprias mãos e crimes em geral são temas quentes. Há leves ironias, porém feitas de maneira confusa ao apresentar críticas, como em uma cena que mostra o quão absurdas podem ser propagandas de armas, enquanto tratam a polícia como incompetentes em várias partes.

Outro problema é a atuação do protagonista. É claro que quando você vai assistir a algo assim, não espera algo digno de Oscar, porém o trabalho está abaixo dos padrões dos heróis sisudos dos filmes de ação: Bruce Willis infelizmente não parece o mesmo ator da franquia “Duro de Matar”. Em contrapartida, as atuações de alguns personagens secundários são bem superiores: destaque para o irmão de Paul, Frank Kersey (Vincent D’Onofrio), e para o detetive Rains (Dean Norris, que colocou em prática seu aprendizado como policial na série “Breaking Bad”).

Enfim, a proposta perdeu parte da qualidade do original, ao quer transformar um thriller de vingança num filme político. Para quem acredita no vigilantismo, ou tem uma visão minimamente positiva disto, recomendo. Já para quem procura apenas por um bom longa de ação, a parte ideológica acaba enfraquecendo a trama.

por Ícaro Marques

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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