Crítica: “Turma da Mônica – Lições”

Nas palavras de C. S. Lewis (aclamado autor de “As Crônicas de Nárnia”): “Um dia você será velho o bastante para voltar a ler contos de fadas”. Assim também é se pensarmos em histórias em quadrinhos, que tanta companhia são capazes de nos fazer, no decorrer de nossas vidas.

Com a afirmação de que “É possível crescer sem deixar de ser criança”, as queridas criações de Mauricio de Sousa voltam às telonas, para mais uma aventura live-action que, com brilhantismo, externa os mais diversos sentimentos e oferece uma das experiências cinematográficas mais gratificantes de 2021.

Dois anos depois de acompanharmos os personagens no cinema em “Turma da Mônica – Laços”, temos seu ansiado retorno na adaptação da segunda parte da trilogia de graphic-novels de Vitor e Lu Cafaggi: “Turma da Mônica – Lições”.

Com Daniel Rezende mais uma vez à frente da direção, a trama gira em torno de Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira), que terá que enfrentar as consequências de suas ações, assim como a incontrolável ação do tempo, o que faz com que as despreocupações da infância pareçam cada vez mais distantes.

Tudo começa quando, após não ter feito a lição de casa, o quarteto decide fugir pulando o muro da escola, para evitar punições. Mas, tal ação é mal sucedida com a queda de Mônica – o que lhe provoca uma fratura no braço.

Insatisfeitos com o ocorrido, os pais da garota decidem que ela não mais poderá ter contato com seus amigos, o que implica em uma inesperada mudança de escola e na proibição de encontros e brincadeiras.

E as tais “Lições” do título também atingem os demais personagens: Cebolinha é encaminhado a uma fonoaudióloga, a fim de tratar sua alteração de fala; Magali é matriculada em uma escola de culinária, para tentar controlar seu apetite – aqui, inteligentemente visto como resultado de ansiedade; Cascão terá que enfrentar seu medo de água e fazer aulas de natação.

O roteiro de Thiago Dottori e Mariana Zatz consegue a façanha de pegar uma joia (a graphic novel homônima na qual o filme se baseia) e transformar em algo ainda mais precioso, com a introdução de novos nomes à história – entre eles, Tina (Isabelle Drummond) e Rolo (Gustavo Merighi) – todos com alguma função narrativa que torna-se fundamental para que o resultado seja impecável.

Como destaque, a sequência que tem como pano de fundo a apresentação da famosa “Cena do Balcão” do clássico literário de Shakespeare, “Romeu e Julieta”, que ganha uma importância bem maior na tela e deve ser responsável por boa parte das lágrimas da plateia.

Também vale destacar a evolução dos protagonistas, que parecem ainda mais à vontade em cena e transitam com naturalidade entre emoções variadas – exatamente como acontece quando passamos pela fase que engloba o fim da infância e o início da adolescência.

Com muitos easter-eggs – alguns bem visíveis, outros que serão notados primeiramente pelos fãs de longa data – “Turma da Mônica – Lições” surpreende, encanta, diverte e emociona na mesma proporção. E, para tornar-se ainda melhor, tem uma das melhores cenas pós-créditos dos últimos tempos.

Imperdível.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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