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Crítica: “Attack on Titan”

“Attack on Titan” (Shingeki no Kyojin, no original) é uma franquia multimídia japonesa, iniciada como um mangá Shonên em 2009, e engloba além do mangá, anime, livros, e a partir de 2015, dois filmes. O primeiro desses será a estrela da “Anime Night” deste mês de abril, da rede Cinemark de cinemas, trazido e legendado pela Sato Company.

O filme se trata de um futuro pós‑apocalíptico, na qual devido às armas usadas – a produção  não cita, mas existe uma sugestão da bomba nuclear – na guerra, surgiram seres enormes devoradores de pessoas, chamados Titans. Para se defenderem e sobreviverem, as pessoas se recolheram construíram muralhas, e se recolheram atrás dela, nutrindo um forte ódio a vários tipos de tecnologia – com exceção é claro das armas usadas contra os Titans.

Durante 100 anos esses enormes seres se mantiveram do outro lado das muralhas, porém coincidindo com uma tentativa de fuga do jovem Eren, e seus amigos Mikasa e Armim, as criaturas atacam e conseguem invadir, dando início a uma nova guerra entre humanos e Titans, dessa vez com Eren fazendo parte das tropas.

O longa é uma adaptação bem apurada do mangá – e do anime em certo nível – em que se baseia, trazendo cenas e estilo fielmente ao do original, algumas até idênticas. A ação é desenfreada – quando começa – e tem uma coreografia interessante. Os efeitos digitais não são maravilhosos, mas não desagradam, e devemos lembrar que não é uma produção com orçamento hollywoodiano. Por sua vez, os efeitos práticos funcionam muito bem, lembrando bem a tradição japonesa. A trilha sonora é um dos elementos mais fantásticos, outro elemento muito notável em produções japonesas, particularmente em suas animações.

A trama por sua vez, é uma montanha russa. Ela tem elementos interessantes, e momentos bem aproveitáveis, porém está cheia de clichês: o herói que perde a única coisa que o prende a esse mundo para os “vilões” e passa a procurar vingança contra o inimigo; o general durão do esquadrão especial que não joga pelas regras e tem ideias malucas; a investida tudo ou nada com um recurso que ninguém sabia, mas que de repente existe; etc.

Além disso, no filme apresenta-se uma crítica à questão do sacrifício de tudo pela segurança – um pouco à “V de Vingança”, só que menos incisiva –, com um comando militar que se veste suspeitamente como nazi/fascistas da primeira metade do século passado. O problema é que essa crítica acaba não ficando clara se está falando que é necessária para sobrevivência, ou se é o que nos acovarda e nos transforma em gado para o governo e titans (Nota do Crítico: no filme pelo menos notei isso, não conheço o mangá a fundo). Apesar dessa instabilidade anterior, a crítica mais latente e presente na obra é a questão militar, e algumas cenas podem, ser, sem brincadeiras, comparadas as do filme original de Godzilla – outro famoso título anti-guerra, particularmente anti-nuclear.

Attack on Titan é um longa interessante, mais recomendado a quem já curte cinema japonês, ou o mangá. Infelizmente, quem não gosta, não verá muitos atrativos. Pela qualidade da adaptação – mesmo com suas liberdades criativas – deverá agradar bastante os fãs do mangá e anime – a esses é obrigatório assistir.

por Ícaro Marques

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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