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Crítica: “Verdade ou Desafio”

Em tempo de redes sociais repletas de histórias perfeitas (mas que, muitas vezes escondem bastidores bem menos cativantes), participar de uma brincadeira “real” na qual o jogador é obrigado a contar um fato verídico ou se sujeitar à imaginação de seu oponente para pagar uma penitência é, no mínimo, assustador.

É em cima dessa simples premissa, que o filme “Verdade ou Desafio” (Truth or Dare) se propõe a contar a história de um grupo de jovens que toma uma decisão equivocada e vê suas vidas serem postas em risco.

Tudo começa com a última viagem antes da formatura – e daquela fase em que, acabamos nos separando, ou no mínimo tomando mais distância, de boa parte de nossos colegas da época de estudante. A protagonista Olivia (Lucy Hale), sua melhor amiga Markie (Violett Beane) – acompanhada pelo namorado Lucas (Tyler Posey) – e demais amigos vão para o México aproveitar o feriado de maneira bem intensa, o que significa que estar constantemente embriagado se tornará padrão para quase todos.

Mas, embora a juventude e a embriaguez possam parecer justificativas “aceitáveis” para algumas pessoas, soa como muito inverossímil a decisão unânime do grupo de seguir um completo estranho que conheceram em um bar, até as ruínas de um convento local, onde lhes foi prometida uma noite de bebidas grátis e sem hora para acabar.

Esse é o cenário no qual acontece a tal brincadeira do título – que nada tem de inocente, ainda mais quando envolve um demônio que, mesmo depois do retorno dos participantes às suas rotinas, os obriga a jogarem de maneira incessante, ou serão mortos. Para piorar o quadro, existem regras a serem seguidas e quando parece que alguém vai burlar a entidade e conseguir escapar, as restrições vêm à tona e mostram que, com toda certeza, era melhor não ter entrado no jogo.

A partir daí, a busca pela própria sobrevivência fará com que os jovens descubram que por trás das selfies incríveis, namoros seguros e amizades insolúveis, há muito mais áreas inexploradas do que eles imaginam. E que tais verdades podem ser mortalmente desafiadoras.

Apesar da Blumhouse ter em seu currículo surpresas do porte de “Corra!” e “Fragmentado”, a trama de “Verdade ou Desafio” não tem nada de inovador, mas nem acredito que essa fosse sua intenção, já que ainda existe um público fiel e em bom número que compra esse tipo de ideia menos intrincada.

Seu maior equívoco não se dá pela falta de originalidade, mas pela utilização simultânea de muitos clichês já vistos em produções do gênero. E, quando chega em seus últimos minutos (que para mim, foram os mais surpreendentes), a tarefa de salvar a importância da produção como um todo já se tornou mais ingrata do que possível.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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