Crítica: “Amigos para Sempre”

Algumas histórias são tão especiais que merecem ser contadas mais de uma vez. Filmado em 2017, “Amigos para Sempre” (The Upside) é o remake americano do longa francês “Intocáveis” (Intouchables), de 2012, que por sua vez é baseado no best-seller biográfico “O Segundo Suspiro”.

Apesar de saber do grande sucesso que a versão cinematográfica francesa – estrelada por François Cluzet e Omar Sy – alcançou, eu não a assisti, então, sobre os personagens sabia apenas o que me foi apresentado no material de divulgação deste novo longa dirigido por Neil Burguer. Talvez isso tenha contribuído para minha simpatia pela dupla de protagonistas, que ganha a atenção do público a cada nova experiência vivida em tela.

Phillip Lacasse (Bryan Cranston) é um escritor multimilionário que fica tetraplégico após um grave acidente de parapente. A súbita mudança imposta em sua vida, aliada à perda de sua esposa – vítima de câncer -, fazem com que perca o interesse por tudo, inclusive pela possibilidade de manter-se vivo – mesmo contando com a providencial ajuda de uma equipe de profissionais responsáveis por praticamente todas as suas necessidades, liderada por sua muito eficiente assessora Yvonne (Nicole Kidman).

Até que o acaso coloca Dell Scott (Kevin Hart) em seu caminho. Após uma inusitada entrevista de emprego, o ex-presidiário é contratado para ser o cuidador de Phillip, de quem será responsável pela manutenção de várias coisas importantes e fundamentais em seu dia-a-dia. Sem nenhuma experiência prévia na área de saúde, pode-se dizer, no mínimo, que a convivência será um grande desafio para ambos.

É interessante perceber a crescente evolução que se estabelece em tela. Ainda que com realidades tão distintas, os personagens conseguem perceber de maneira bastante natural que têm muito a ensinar um ao outro. E, por mais que as diferenças sejam gritantes, a persistência faz com que a relação que tinha tudo para dar errado já no âmbito profissional, consiga chegar ao patamar daquele tipo de amizade com a qual é provável que todos já tenham sonhado em algum momento.

O filme é bem equilibrado sem partir para o dramalhão exagerado ou para a comédia escancarada para funcionar. As situações mais delicadas – que abrangem as dificuldades físicas e emocionais que as limitações de Phillip trazem – são mostradas de modo eficiente, assim como as sequências em que Kevin Hart imprime seu talento cômico e coloca leveza em momentos mais sérios, como o que apresenta os personagens em um cenário que envolve a troca de uma sonda.

Cabe destacar as boas atuações dos protagonistas que entregam ao público uma dupla digna de aplausos e que consegue, dentro de suas particularidades emocionais e histórias de vida, obter êxito quando está junta.

Vale conferir.

por Angela Debellis*

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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