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Crítica: “Vingadores: Guerra Infinita”

Ter os melhores ingredientes à nossa disposição ao mesmo tempo, nem sempre é garantia de que o resultado final será bom. A minha grande dúvida em relação a “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War) era como que fariam a união de franquias tão diferentes – e que sozinhas funcionam bem à sua maneira – em uma mesma história que se mostrasse tão eficiente quanto atrativa à legião de fãs dos heróis da Marvel. A boa notícia é que os roteiristas Stephen McFeely e Christopher Markus conseguiram.

Como amplamente divulgado, a trama mostra o “Titã Louco” Thanos (Josh Brolin em interpretação perfeita e com visual irretocável) numa busca frenética pelos artefatos conhecidos como Joias do Infinito – alguns já vistos em produções anteriores -, que, quando em conjunto e acopladas à icônica Manopla do Infinito, darão poder a ele para dizimar metade da vida de todo Universo. Simples e assustador.

Essa jornada, é claro, envolve nosso querido planetinha azul, uma vez que duas gemas estão sob a guarda de heróis que vivem aqui: a Joia do Tempo permanece no centro do Olho de Agamotto, em posse do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e a Joia da Mente está incrustada na testa do Visão (Paul Bettany).

O que dita o ritmo da produção é a fluidez com que as cenas acontecem nos mais diferentes cenários. Há sequências no espaço sideral, em Wakanda, em outros planetas, em mais de um país na Terra. E, mesmo com tantos cortes e retomadas da ação de cada trama paralela, ainda é possível manter-se atento a tudo, porque no final, cada detalhe poderá fazer a diferença.

Também é gratificante perceber como a personalidade e peculiaridades de cada personagem foram mantidas. Quando a cena envolve os Guardiões da Galáxia é mais colorida e eufórica. Se o destaque é Thor, há uma excelência em tela, mostrando que o Deus do Trovão nunca esteve tão soberano e poderoso. Tudo transitando entre momentos sérios e diálogos tão divertidos quanto inesperados, ou seja: o conhecido padrão Marvel se estabelece e mantém mais uma vez.

156 minutos de filme podem parecer exagerados a princípio, mas logo mostram-se necessários e bem utilizados. Sob a direção precisa de Anthony e Joe Russo, vemos o desenvolvimento de uma das narrativas mais conflitantes e surpreendentes das adaptações cinematográficas de histórias em quadrinhos de heróis. Tudo é entregue de maneira impiedosa, não existe tentativa de amenizar o sofrimento, dar um tapa e pedir desculpa em seguida. E, com essa ótica, é possível afirmar que nenhum personagem está a salvo – seja da vilania de Thanos ou da ousadia dos diretores.

É difícil escrever sobre o longa sem que alguma pontuação acabe se tornando um spoiler involuntário e esse é mais um dos casos em que quanto menos se souber ao entrar na sala, melhor. O impacto de uma atitude inesperada, de uma solução de última hora, de uma morte improvável faz com que cada espectador adentre em sua jornada pessoal (com direito a exclamações de surpresa / pesar proferidas de maneira coletiva durante a exibição) para encarar o destino de tantos heróis queridos ao mesmo tempo. Vale dizer apenas que todos têm seu momento de destaque.

Ao término da sessão, aproveite os créditos finais para se recuperar – acredite, é bem provável que você vá sentir que precisa dele – e aguarde porque tem uma cena adicional bem importante para os rumos que deverão ser tomados em “Vingadores 4” (ainda sem título oficial divulgado).

Imperdível.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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