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Crítica: “A Abelhinha Maya – O Filme”

O gênero animação se tornou mais complexo há algum tempo e não se destina mais só às crianças. Mas, de vez em quando, é muito legal ver que ainda são feitas produções nitidamente pensadas para atender esse público específico, que apenas tenciona coisas mais singelas e que sejam cativantes por essa simplicidade.

Dentro desse grupo, a novidade é “A Abelhinha Maya – O Filme” (Maya The Bee- The Honey Games), segundo longa-metragem – o primeiro foi lançado em 2016 – da simpática personagem criada pelo escritor alemão de literatura infantojuvenil, Waldemar Bonsels, em 1912.

A trama mostra a pequenina protagonista se voluntariando a contragosto de sua rainha Katherine, aos “Jogos de Mel” (cujo nome em inglês, The Honey Games, me fez lembrar de outra competição – The Hunger Games – que no Brasil ganhou a tradução Jogos Vorazes), a fim de salvar o estoque de mel de sua colmeia, que está sendo exigido pela imperatriz Beatrice de Buzztropolis – uma espécie de capital, a quem todos os insetos parecem se reportar.

Ao lado de Maya está seu fiel amigo Willy, e juntos, descobrirão que o trabalho em equipe é fundamental para obter êxito em suas ambições. O desafio é amplificado pelo fato de terem que se adaptar a um grupo montado sem o menor critério pelo mentor dos jogos, apenas com a intenção de prejudicar a participação da colmeia de Poppy Meadow na disputa.

E são justamente esses integrantes que trarão graça à narrativa: Dolores é uma aranha vegetariana, com ares de adolescente em dúvida; Percival é um percevejo que sonha em cantar e tem pouca habilidade física; Arnie e Barnie são formigas que compensam a pouca inteligência com uma enorme simpatia; e Chico – o mais carismático – é uma barata que tem fobia a germes e evita contato com qualquer tipo de objeto / local que julgue estar sujo.

Por outro lado, as equipes concorrentes são formadas por insetos que já têm intimidade e sabem como devem se portar frente às tarefas do torneio. O destaque vai para a antagonista Violeta, jovem abelha que lembra as garotas do ensino médio que parecem exercer certo domínio sobre suas colegas de escola.

Tudo na produção se encaixa de maneira didática e eficaz. A lição que fica sobre a importância de se cultivar bons amigos; o bullying que é praticado muitas vezes diante dos olhos de muitos (que nem sempre agem como deveriam) e que precisa ser combatido sem hesitação; a confiança que se deve ter em si próprio, mesmo diante de adversidades.

Com 85 minutos de duração, o longa não se torna cansativo para espectadores mais novos e consegue prender sua atenção com cores vibrantes e personagens com formas compreensíveis e muito bonitas em tela. Já os adultos terão que trazer sua adormecida criança interior à tona para aproveitar a doce experiência da melhor maneira – e acredite: é possível sair com um sorriso estampado no rosto após a sessão.

por Angela Debellis

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

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