Crítica: “O Manicômio”

“O Manicômio” (Heilstätten) é um slasher sobrenatural do diretor Michael David Pate. A história segue um grupo de youtubers e vloggers que decide fazer o desafio supremo de passar uma noite investigando um manicômio/hospital de tuberculosos supostamente assombrado pelos doentes mortos durante o governo nazista na Alemanha. No entanto, quando a noite cai, algo lá não está feliz com a presença deles, e os caçará um a um, até que não sobre ninguém.

A perspectiva clássica dos filmes de filmagem perdida tem como ponto de vista as câmeras das vítimas, e no caso até mesmo sensores de calor. Por sua vez, o longa atualiza a fórmula, e transforma o vídeo que seria encontrado em pilhas de mídias físicas como rolos de filme e vhs, para mídias digitais, no caso vídeos de YouTube. Essa técnica está se tornando cada vez mais comum dentro do imaginário popular, e foi o segundo filme de 2018 no qual as mídias digitais se tornam as portadoras do ponto de vista, sendo precedido por “Buscando…”, em que não apenas o YouTube, mas as telas de computadores e Smartphones são as narradoras.

O longa também sabe flexibilizar e usar bem o contexto das câmeras atuais: por serem dependentes de mídias digitais, não tem custo quase nenhum de compra de material, e facilitam consideravelmente a edição, com múltiplas câmeras sendo utilizadas. Desta maneira vários enquadramentos interessantes podem ser vistos. Um dos pontos negativos é que em certas cenas o uso das câmeras parece injustificável e os ângulos incompatíveis com a realidade da situação.

As atuações são razoáveis e aceitáveis para este tipo de gênero, porém nada mais que isso. Um destaque merece Tim Oliver Schultz: sua interpretação contida e raivosa condiz muito bem com o arco do personagem, alternando-se entre frieza e raiva, e é válido dizer que sua transformação durante a narrativa é bem encarnada pelo ator.

Dos pontos negativos, “O Manicômio” é simples de descrever: é um slasher típico. Temos todos os conflitos e personagens padrão, as sequências de mortes clássicas, e até mesmo os diálogos comuns a esse estilo, e não há nada que o diferencie de um slasher americano. Ao assistir-se à versão dublada, facilmente consegue-se imaginar que a língua original seja o inglês, pois apesar da boa sincronização, sabemos que não é a língua original.

Além disso, outro problema é a confusão que certos elementos do pano de fundo da história causam, confundindo-se personagens e tramas que levam à criação das assombrações, causada pela incompreensão dos personagens em relação ao mistério. Além disso, a produção abunda em mortes não sutis e cenas de violência brutal e grotesca, o que exige um estômago forte, algo que serve bem aos chamados “Gore-hounds” – fãs de filmes de sangue e vísceras.

Por fim “O Manicômio” é mais um slasher para a lista daqueles que gostam deste sub-gênero do terror, e quer assistir a um found-footage atualizado para a era moderna.

por Ícaro Marques*

*Texto originalmente publicado no site A Toupeira.

Comments are closed.